ITACARÉ "UMA VIAGEM FANTÁSTICA"

Itchacarai - Costumo dizer que viajar deveria ser um item defendido na Constituição Federal, especificamente no artigo 5°, onde constam os direitos e deveres individuais. Mentira. Num digo nada. Ou melhor, nada com nada! Só acho é graça e vivo a encher a paciência do outro ou outros (porque o bom da vida é viver em grupo). Entre um clic aqui e ali no facebook, visualizo uma publicação com informações sobre uma excursão a Itacaré-Ba. Era Estêvan (um dos bagaçadinhos) anunciando a viagem. Estêvan? Sim! O menino de marketing pessoal forte e arrematador de fãs no mundo virtual. Falei virtual, já que no real as meninas eram só reclamações quanto à estatura e músculos. E o melhor, o instrutor dele, Matheus (fininho não, todo) estaria pela viagem para receber as queixas. Ui. Eu vou! A data? Feriadinho mixuruca (semana santa somada à folga de Tiradentes). Bom hein? Delícia de vida, quatro dias para se aventurar, azucrinar o outro, descobrir, respirar praias e risadas. E lá vou eu, como todos os outros, reservar vaga, no meu caso, vagas. Amanda, minha irmã, comemoraria a formatura em publicidade com a viagem. Ouro! Agora era lascar o cofre, chamar por mãe na hora do aperto e acelerar o relógio. Logo arrumei um calendário e tomei a marcar xis. Menos um dia... Menos outro. E essa euforia sem nem imaginar o quão valiosa seria essa viagem. Até... Até ser criado o grupo no zap zap com a galera e ter uma maluca muito doida postadora de fotos de uma outra viagem dela a nosso destino. Para que? Pra ficar flambando na nossa cara e nos deixar com mais vontade. Falei beijinho no ombro hein Say? Para minha alegria encontro entre os contatos ela, Kelly (com quem já trabalhei). Nesse instante meu sexto sentido apitou. Se baixa o espírito técnico dela, vai ser Froyd tomando banho de jeans... Haja classificação dos matos. Agora vou parar com esse papo arrumadinho e seguir logo ao que interessa: Itacaré-Ba. Quinta-feira (17/04/14): Às 21h todos pelas imediações do Teatro Tobias Barreto. Logo que desço do táxi, ele, Tiago/Titi, o bagaçado gigante e dono de uma magreza legítima. Cumprimentei com toda sinceridade sobre o que tinha acabado de constatar e segui para o ônibus a fim de despachar as malas. Acomodada em uma das poltronas localizadas ao meio do busu, me senti uma divisora de águas. À frente o pessoal mais comedido, querendo, literalmente descansar, ao fundo... O misere! Ô povo despirocado, da cana, do mé! E lá fomos nós enfrentar cerca de onze horas de estrada, desconforto para lombar e Lilian a encher a cara e os nossos ouvidos. A nega bebeu tanto que contou a história dela para quase metade do pessoal. Inclusive a Nathalie (de Bruno), que se mostrou indignada com o desprendimento dela ao contar as próprias proezas na vida privada. Pensem na barriação? Nath é honesta! Não confundam com bocuda. Só porque ela confidenciou que Bruninho é um perna-de-pau e pensa que joga muito. Não mais que umas quatro ou três horas depois de iniciarmos a empreitada já era possível ouvir o silencio. Aos poucos todos foram deixando metade da ansiedade de lado para serem tomados pelo cansaço e sono. Alguns vencidos pela maratona de trabalho, outros pelo álcool, outros pelos Dramins da vida e mais alguns porque são bons de cama, poltrona mesmo. Isso sem apontar o número de paradas regadas a entra e sai do pessoal para alongar o esqueleto, limpar a baba e as remelas, prestigiar os banheiros das rodoviárias, abocanhar uns frescos salgadinhos ou bolos e publicar essa ou aquela fotita no Instagram ou fazer o check-in no face. E o dia? Raiou... Sexta-feira (18/04/14): Início da manhã. Tranquilidade. Muita fome na chegada. E um São Pedro querendo zoar ao mandar uma chuva sacana, só para trolar e nos deixar com caras emburradas. Enfim saltemos em Itacaré! Pelo hotel e de posse da chave rumamos ao quarto e para minha surpresa encontro à porta dele: Ela, Lilian (chorei e ri)! Compondo ainda o time do quarto seis (que era o último, vai entender a ordem), nossa Kelly Tec. Mal sabia que se tornaria a futura paquera do guia Black Jack, rapaz nada excitante, de traje de banho inapropriado para conquistas (cuequinha escrota). Fechando o pacote, uma pequenininha cheia de caras e bocas, Fabi a admiradora nada secreta de Maurício, a formiguinha atômica. Timaço completo, hora de se aprontar para o primeiro passeio. Pena que nossa GM, Gabi, não pode ir. A mistureba de álcool não bateu legal e não deu outra: ela perdeu o primeiro momento dos meninos sensualizando de sunguinha. E já de cara rolou discussão sobre a flora local na mini trilha entre a cachoeira de Tijuípe e a cachoeirinha. Bastou a moça aqui falar que dava sorte, com os rapazes amados, as moçoilas que tocassem numa florzinha roxa para que Nataly Júnior firulasse possibilidades mil para com as encalhadas. Traduzindo a loucura: ao final todos queriam dar cabo à coitada da flor. Ah, o banho de cachoeira. Frio da desgraça e corpos para todos os gostos lançados entre as pedras (para delírio do salva-vidas gorducho). Klauss e eu até cogitamos que o mesmo devia se tratar do dono da propriedade e estava ali apenas para saborear ‘visualmente’ as carnes femininas. E eu até podia ouvir: ‘Sabem de nada inocentes!’. Estripulia e felicitações a JP e Amanda (as criaturas aniversariaram no mesmo dia), de volta ao Hostel Itacaré. Uma turma desceu para o bar Favela. Rará. No Favelinha também teve fofocagem da cabeluda. De garçom tomando a cerva dos meninos, filósofo ala ‘cumpade’ Washington fumegando no ouvidinho de Ray à misteriosa menina de roxo (Luciana, uma eternidade para descobrir o nome dela) recebendo cantadinha ‘dum cabra’ casado. Como diria vovó, só conto porque me contaram. Fabi. Naty. Não me deixem passar por mentirosa. Ou era segredo? A outra turma foi bater pernoca nas ruelas de Ita, já a sobra se entregou ao ‘conforte’ e ‘maciez’ dos lençóis e colchões de suas camas. Ah! E ao ar condicionado também, já que a noite os avisos de taxas extras (cobrando até pela nossa sombra) perdiam seu valor. Né Dani? Pobre Dani (não, louquinha mesmo!), que como eu, se revoltou com os insultuosos avisos colados pelos quartos a informar que não deviam ser destruídos. Se soubessem hein Dani? Do nosso desejo maléfico de lançar ao balcão os tais dois reais, picotar os avisinhos e depois sapatiarmos no meio do corredor. Aposto que a bonita da Dona Redonda não ousaria nos desafiar. Sábado (19/04/14): Na programação proposta continha conhecer quatro praias (Engenhoca, Havaizinho, Camboinha e Itacarezinho). E lá se foi a cambada depois do café da manhã, vale enfatizar, sem ovos! Thadeu estava inconsolável com a falta deles, a revolta era tamanha que para compensar a ausência dos ovinhos, Tatá rumava à padaria ao lado e tome a comer ovos com jacó. E Índia? Bichinha, toda preocupada com a ‘chefa’ mala que não sabia da sua folga. Para quem entraria às 11h só por meio de um tele transporte para desfazer a confusão com as datas. Ela se confundiu tá ‘chefa’? Além de fotografa, boa de nó! Wagner sabe bem do que estou falando. Dormiu em que cama mesmo da sexta para o sábado? Opa! Já ia esquecendo de falar do nosso guia afro originals, Jeff, o negão da mão boba e ligeira. É. Tavam pensando o que? Aquele lance de acudir as menininhas no percurso das trilhas era caso pensado. Vá! Aquelas cordinhas estrategicamente posicionadas? Hã! Mô fio, o negócio era aproveitar do corpinho suado das turistinhas, deslizar as mãozonas pelas curvas das sergipanas. Obstáculos vencidos. Peitos e coxas ralhados pelas mãos de Jeff, só lembranças bacanas... Praias deli-delis para banho, cantoria, futebolzin e sol. Caminhadas de prima até a canelite chegar junto (dorzinha nos cambitos) e uma de volta fora do eixo ao ônibus, de lascar o cano. Puta que pariu! BR, rodovia, sei lá, descemos ladeira/serra e o grau de insatisfação era nítido, se não fosse aquele jeito fofis de Titi, não sei o que seria dele. Um picadinho quem sabe? Devidamente utilizando as dependências do albergue, os mais animados logo descobriram um ‘arrocha do kolene’ no alto de um moro e não demorou muito para baterem por lá. Decepção! Povo feio, a nos chamar de gringos, tudo de cabelinho afogado no creminho. Meia volta! Para geral restou o Favela. Aos outros o sono dos guerreiros. Domingo (20/04/14): Bora galera! O rafting tão esperado ia rolar e quem estivesse a postos logo seguiria na primeira remessa. E a aventura começou com um trajeto de estrada de chão até o povoado Taboquinha e foi preciso glúteo, bunda. Aramaria quanto buraco! Coisa de uma hora chegamos. Coletes e capacetes em uso, levantar o bote, largar no rio e receber instruções. Ai que alegria gente! Eu adoro! Eu me amarro! Pena que o meu bote não virou, embora pudéssemos curtir a turma do bote de trás tomando aquele caldo. E que caldo em Bruna? De meter medo! ‘De ver a morte de pertinho!’. O fotógrafo! Para os íntimos, o Senhor Ok. Fazedor de meninos, muitos meninos, tadinho. Não podia negociar descontos, ainda que seu material não tivesse toda ‘aquela’ qualidade by Tatá. O jeito foi pegar os registros/recordações e tentar salva-los. O passeio. Passeio maneiro tem que ter surpresinha: Tirolesa com direito a coleguinha querendo saltar sem os itens de segurança. Wander! Nosso Polentinha (nehm nhem nehm...). Não cheguei a contabilizar, mas ele deve ter nos narrado a história de amor dele com o INSS uma centena de vezes. E quem disse que o domingão tinha findado? SUP meus brothers! Claro que a ideia surgiu depois de invejarmos os noivinhos (Phillipe e Nadjane). Stand-up de leve para exibir meu sinalizador (biquininho laranja, discreto) e aprovar o pôr-do-sol. Noite? Livre novamente e com ela um luau com o nosso cantor particular Klauss, que quase nos fez passar vergonha de tanto cansaço. Mas Manu não deixou barato, encenou a possível cena de pagação a ser aplicada à falsa cantorinha (acompanhada de bailarinos) que se meteu à besta e sussurrou querer soltar a voz de gralha, e por não perceber nosso interesse puxou a burra. Oh luau? Enchi o caneco, vi outros encherem a cara e todos felizes com seus porres e más intenções. Teve até iena no mar. Ou Ione? Ray? Dan? Muito qui qui qui e cá cá cá. Falar que nem Aline: Só os fortes entenderão! Ali, sentadinhos, nas espreguiçadeiras de um hotel que margeava a praia, o cansaço explícito, estampado em nossos rostos não era nada diante do sentimento de saudade que já brotava em nossos olhos. Ninguém queria voltar à realidade. A turma se entendeu, se quis perto e soube aproveitar bem. Já passava das quatro da manhã quando todos de fato seguiram para seus quartos e agarram-se aos travesseiros. Segunda-feira (21/04/14): Liberdade. Liberdade! Cada um que cuidasse do seu tempo, comprasse mimos, aproveitassem o restinho de Ita, arrumassem a ‘mocofagem’ e engolisse o choro. Era hora de dar adeus ao nosso sonho. Às 15h adentramos o ônibus para cumprir a jornada de volta. Muito mais calma. Pessoas arriadas em suas poltronas, paisagens a se despedirem e um motorista cheio de flatulências. E não afirmem o contrário! Tinha alguém estragado por dentro e largando o gás. E outra, cabe muito bem acusar o motor, já que ele ao sair de Aracaju, foi desatencioso com nossos meninos e os chamou de Bagaceiras (risos). Aline! Companheira de quarto da fofa Íris, não parou um segundo de pedir que as fotos em que ela estivesse, mais ou menos umas mil, fossem publicadas no face. Oh mulher que gosta de foto! Bexiga! Enjoo do cabrunco. Íris, Íris, Íris de arco-íris. Tão meiga. Acho que faltou apenas um biquíni mais... Estilo sinalizador, que valorizasse o produto. Tirando ela e Amanda (que não gosta de água) que estavam muito cobertas, peço uma salva de palmas para as gatas e seus fios dentais e cordões cheirosos. Os boys eram só agradecimentos. Xô me calar para elas não convocarem Bella e eu me estrepar com um processo. Ficar produzindo provas não dá! Mas que um pano menorzinho, uma tira, ficaria bem. Ficaria. Não posso negar. E Amandinha fazer as pazes com a água não faria nenhum mal. O retorno contou com mais horas que o esperado, se bem que ao final de feriado não se pode exigir muito. Capotamos. Apagamos. Íamos sendo levados aos nossos lares. Terça-feira (22/04/14): Mais ou menos três da madruga, batemos ali a casa das doze horas, e Aju a nos receber de volta, com os corações partidos pela distância de nosso novo amor, mas satisfeitos por estar em nossa terrinha. Como um caminhão de entrega de produtos a domicílio fomos sendo distribuídos por entre nossos endereços e mediações até a parada final. Sem despedidas, com acenos murchos de ‘tchaus’, na tentativa de burlar qualquer tristezinha. Nada de choro! Espertos. Logo armamos um jeito de nos ver. Bolamos um encontro. Ressaca, esquema, local com dormida e a saudade de Itacaré a nos guiar. Porque ao final o que importa de verdade é o jeito de seguir adiante. Andreza Mota 30/04/2014

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